quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Fenda no Tempo

Observo o buraco no meu All Star preto e isso me fascina. São tantos os buracos com os quais a gente convive e nem repara, não é mesmo? John Lennon traduzira este absurdo no último verso de 'A Day in the Life'.

I hear the news today, oh boy
Four thousand holes in Blackburn, Lancashire
And 'though the holes were rather small
They had to count them all
Now they know how many holes it takes to fill the Albert Hall


E nada mais perfeito para traduzir essa banalidade do que a frase 'A Day in the Life'. Afinal, o que é um dia na vida?

Raramente paramos para reparar no que cada dia que passa nos proporciona; ou o que ele significa; ou o que ele nos ensina; ou quantos buracos deixamos abertos mais uma vez.

O vazio deste rasgo no meu tênis me fascina. Não por ser um rasgo simples em um sapato que rasgou antes mesmo do fim do pagamento de suas prestações. Não. Ele me fascina por não ser realmente um buraco, mas uma fenda para uma realidade paralela, que fica entre a meia no pé e o tecido preto que colore a estética do calçado. Ele me fascina exatamente por dar personalidade forte a este meu pequeno acompanhante de jornadas - também vestindo suas cicatrizes abertas para o mundo todo ver, mas sempre sorrindo e acreditando em dias menos rochosos e/ou chuvosos pela frente.

Confesso que me deixei levar pela jovialidade de seu espírito rasgado e acabei mergulhando de vez nesta realidade alternativa - entre a meia e o sapato.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

In the Dark

There's a light that fades in the dark
It fades, it fades, but still never parts
It's yellow as the sun, but a sun which never sparks
There's this light that fades in the dark...

Shining away, the colour remains
Strong as the day, the dark sky it stains
Continuous, not obvious, but eternally sustained
The light that slowly remains...

Up on the hills where giants can't go
Power that heals, power that stole
There is a light that never grows cold
A light that never grows old...

Here comes the rain, a thunder, a strike
Pouring like veins, the blood never dries
Red are the tears which blossom in the sky
'Though the rain reckons fears, it can't kill the light...

Floating above a yellow bubbling sea
Look all around but I still cannot see
Highlight the stars, so I can believe
There is this light that never retrieves...

Alone in the dark, one single tower
A light ceases to shine at a lonely hour
Mistakes weren't found, but only a dead flower
They're the saddest remains of the light of the sour


[Raven, 2003]

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

BORA, MENGÃO!!! =D

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Surreal Absurda

Estava eu visitando o blog do Samuca e me deparei com este post que ele escreveu. Nada a ver com a parada dos fumantes porque I just couldn't care less about them. Na verdade, o que me ofendeu foi a matéria sobre o tal personagem gay de Maurício de Sousa.

Repito então aqui o que comentei lá:

Sabe o que eu acho mais revoltante? É que o Maurício de Sousa tem que se defender dizendo que a revista é direcionada a adultos jovens. Tipo, ALÔ!?!?!?! Que coisa mais medieval. Criancinhas podem ver bundas e peitos rebolando na TV em qualquer novela das sete da Globo, mas ver um personagem de quadrinhos homem apontando para outro e dizendo ser comprometido é absurdo.. Gente, cada dia mais tenho certeza de que sou de outro planeta. Né possível.
Quem quiser ler a reportagem (que logicamente saiu no G1), pode vir aqui.

The Heart Eater




[Raven, 2009]

sábado, 14 de novembro de 2009

Dry your eyes

I've been sleeping with ghosts and Ketamine posts on the side of the bed
I've been living in bolts, tearing up coats and making you sad
There's light in the box, a lingering toss and too many cigarettes
There's crying on stones, breaking up bones and Russian roulettes
But there's never a real chance
There's no great romance
Only moderate illusion
It's all just a fake, a brutal mistake
A great big confusion
Let's dance in this fire, this ungrateful desire
And pretend we never cared
Let's forget about love, forget what we're proud of
Pretend we're not scared
Let me turn out the light and hear your insight
Let me say my goodbyes
For the ghost at my side is now alive
Forever

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Now playing: Kings of Leon - Revelry
via FoxyTunes

domingo, 8 de novembro de 2009

BORA, MENGÃO!!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Bittersweet Symphony

Vejo a sinfonia no ar.

As pinceladas pluviais colorindo a paisagem na manhã de sexta-feira.
Gotas caem sobre folhas de árvores como notas musicais escritas sobre a partitura do universo, entoando uma melodia constante - inteira.
O silêncio desconstrói.

Enquanto sento e assisto ao mundo através da transparente vidraça, ouço violinos tocando ao horizonte, acompanhando o piano forte que venta seu recado.

Ali, logo ali, há uma tela esverdeada sendo rabiscada de cinza.

O prateado aquarelado compõe o quadro da manhã.
Outubro chegou molhado traduzindo a melancólica melodia de uma alma desgarrada.


[9.10.09]

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A viagem de ônibus foi contemplativa.

Mas o melhor de tudo é ver as coisas com um outro olhar, outra perspectiva. É encontrar o mágico por trás do mundano e do ordinário. É ver as cores por trás do cinza, ou o vermelho escondido por entre o preto e o branco.

Hoje foi um destes dias em que o portal entre os universos estava aberto e eu pude olhar através dele.

O dia já começou insólito, com uma camada de tinta roxa bem escura pintando o céu da manhã. Aos poucos, foi-se misturando com tinta branca e tornando-se azul marinho, azul escuro, azul e finalmente azul claro. Porém, logo em seguida, derramaram um pote de tinta prateada em cima das nuvens e começou a pingar tinta no chão.

A manhã começou assim: borrada.

Já levada pela insônia kafkiana, comecei a entender e ouvir coisas que sabia que não estavam sendo ditas neste plano. Ouve-se melhor de olhos fechados, pensei.

Acordei, horas depois, com uma mensagem que parecia de outro mundo. Não haverá aula hoje. Neste instante, resolvi entrar naquele ônibus. A tinta amarela do Sol já aguçava o azul do céu e a bagunça cinza da manhã já tinha sido absorvida pelos grandes algodões brancos que agora flutuavam calmamente.

Já no ponto, senti que o dia era especial ao ver a visão da perfeição chegando de mansinho ao meu lado. Ela parou ali e ficou me olhando. O universo sempre me pega de surpresa e eu sempre viro o rosto. Não fiz diferente hoje.

Sabia que nesta linha demoraria para chegar mais onde deveria, mas ignorei o óbvio e segui o certo da voz que cantava em silêncio no meu ouvido. Subi e sentei no primeiro banco vago.

Geralmente, o mundo musical me engole assim que coloco os fones de ouvido e apago ou quase ignoro tudo que me acontece em volta. Não hoje. Hoje, o áudio acrescentou-se cegamente ao visual, tornando tudo sobrenatural, brilhante, claro.

As cores eram mais vivas, as pessoas pareciam mais reais.. diferentes, talvez. O auge chegou em um ponto do Jardim Botânico, enquanto observava os traseuntes, Ewan McGregor e Nicole Kidman cantavam no meu ouvido uma das músicas mais lindas que eu já ouvi e foi desesperador. Foi desesperador sentir tudo aquilo ao mesmo tempo. E foi difícil, admito, segurar as lágrimas.

A lentidão do trânsito servia para aumentar a angústia de quem quer chegar logo em algum lugar e não sabe por que. Lentamente, no entanto, comecei a entender que a lentidão não era lenta, era apenas a velocidade clássica entre um universo e outro. Quando entendi, comecei a observar tudo com outros olhos.

E foi ali: no meio da confusão, do caos, do embolado da saída da maior favela do Rio que encontrei um casal que me fez sorrir. Eram simples, eram inocentes, eram reais. Não estavam fazendo nada de mais; estavam brincando, zoando um com o outro, rindo, se abraçando. Não adianta: não existem palavras para explicar. Como o ditado diz: uma imagem vale mais do que mil palavras. Pena que minha câmera não estava comigo.. Mas, nesta hora, neste exato momentinho, senti o que realmente pode ser chamdo de felicidade. É raro. Sim. É muito raro ter este vislumbre de algo tão puro e saber compreendê-lo.

Sorri por gratidão. Por ter tido a sorte de poder ter visto aquela cena tão.. comum.. banal.. mas tão completa e mágica por essência. E, mais uma vez, sofri para conter as lágrimas. Desta vez, confesso que foi bem mais difícil.

Depois disto, apenas a dor no ombro me incomodava. Eu só queria sair do ônibus para que ela acabasse, como se isso fizesse algum sentido.

Já na entrada da Barra, conheci um Doppelgänger, que fez questão de entrar no meu ônibus e me observar também. Mais um sinal de que o portal entre os universos já está aberto. Paro e penso que o dia 31 está por perto.. deve ser esse o motivo.

A viagem pela praia só me causou curiosidade; não para com a Natureza, mas para com os prédios, edifícios e condomínios pelos quais já passei dezenas de vezes e nunca havia parado para prestar atenção. Pude atingir um outro nível de compreensão apenas observando aquela selva de pedra que contempla o mar.

Um senhor senta ao meu lado só para me incomodar, vejo pessoas indo e vindo.. de todas as idades, raças, gêneros, castas.. todas juntas em um mesmo lugar, um mesmo veículo.. todas na completa paz. O universo está dentro de um ônibus.

E assim, a viagem termina, depois de uma hora e quarenta minutos de viagem - penso que nem foi tanto tempo assim; imaginava ter sido mais. O senhor já havia descido e agora, o Doppelgänger sai do seu lugar e senta-se exatamente ao meu lado. Eu quase rio de tão poético. Soon enough, estamos no meu ponto. E advinha? Sim, o Doppelgänger também desce lá.

Achei aquilo tudo tão surreal e tão perfeito.. tão descritivo e tão meant to be que sorri. O Doppelgänger seguiu sua saga cinematográfica.. talvez até Jacarepaguá.. Vargem Grande.. Campo Grande.. Recreio, quem sabe? Só sei que deixei-a para trás e fui em busca de outro ônibus - um que apenas passa de hora em hora. E, magicamente (é claro) este ônibus passa exatamente dois minutos depois que eu chego no ponto.

Entro e sorrio mais uma vez. Sinto-me em sintonia com tudo e todos. As coisas, neste momento, fazem total sentido e o sol brilha para dizer que o dia terminará azul. Azul como o pote de tinta daquela manhã.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Gente, tô rolando de rir aqui.

Assim, o patético não tem limites.
Impressionante.